Estudo afirma que uso de pesticidas prejudica aves
De acordo com autores, ao eliminar os insetos, fonte de alimento dos pássaros, os neonicotinoides causam a redução de populações desses animais Um novo estudo mostrou que o uso de pesticidas neonicotinoides, apontados por pesquisas recentes como prejudiciais a abelhas e outros polinizadores, afeta também populações de aves. O trabalho, realizado por cientistas holandeses, foi publicado na quarta-feira na revista Nature. Os pesquisadores estudaram quinze espécies de pássaros na Holanda e concluíram que sua população reduziu até 3,5% anualmente entre 2003 a 2010. Essa diminuição foi relacionada às altas concentrações de imidacloprida, um composto da família química dos neonicotinoides, na água da região analisada. Segundo os autores, ao eliminar os insetos — fonte de alimento crucial na época da reprodução das aves —, o pesticida afetou a capacidade das aves de procriar. "Nossos resultados sugerem que o impacto dos neonicotinoides no ambiente natural é mais substancial do que foi reportado no passado", escrevem no artigo. "A legislação futura deveria levar em conta os efeitos em cascata potenciais dos neonicotinoides nos ecossistemas." Os neonicotinoides são pesticidas sistêmicos (absorvidos por todas as partes da planta) que representam cerca de um terço do mercado mundial desse tipo de produto. Seu principal uso é no controle de insetos em plantações, mas eles também são empregados para afastar pragas em animais e pestes em residências. Em junho, um estudo revisando mais de 800 artigos sobre o tema analisou seu impacto negativo sobre diversos tipos de vertebrados, e classificou a contaminação provocada por este tipo de pesticida como “sem precedentes”. Pesquisas anteriores apontam os neonicotinoides como uma das principais causas da síndrome do colapso da colônia (CCD), fenômeno que faz as abelhas literalmente desaparecerem de suas colmeias, o que intriga os pesquisadores. As suspeitas levaram a União Europeia a banir, a partir de julho de 2013, os neonicotinoides em algumas culturas por um período de dois anos, apesar dos protestos de produtores agrícolas e de multinacionais químicas e agroalimentícias. No mês passado, a Casa Branca determinou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos faça sua própria revisão sobre os efeitos dos neonicotinoides nas abelhas. Fonte: Veja Abril
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2017/11/20 | 02:02:08

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